Franca, 30 de julho de 2010
 
 

          Uma região que abriga rios de uma infância ruidosa, cheia de corredeiras e cachoeiras que passam dos 200 metros de altura. A paisagem se alterna entre campos rupestres cheios de delicadas flores, cerrado típico e matas de galerias com vegetação atlântica. A prática de esportes de aventura começa a atrair um novo público. Mas, o que chama a atenção e ainda desperta o maior interesse é a exuberância das belezas naturais.
          É nesse ambiente que vivem protegidas espécies de animais ameaçados de extinção, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o tatu-canastra e o pato mergulhão. A vida rural mantém as velhas tradições culturais da região, como a arquitetura do século 19, os muros de pedra sem cimento, o queijo canastra e o carro de boi.
          Assim se apresenta a Serra da Canastra, ícone de um circuito turístico que reúne várias cidades e lugarejos. Cachoeiras, serras, grutas e fazendas centenárias são os atrativos desse circuito de campo cerrado e predomínio da vida rural. Um convite irresistível para quem gosta de cultura, natureza e aventura. A serra e suas formações rochosas abraçam o imenso alagadiço, tornando-a uma espécie de berçário das bacias hidrográficas dos rios Paraná e São Francisco. Rio das Velhas ou Araguari é um dos mais conhecidos que nasce no chapadão para formar a bacia do Paraná. Foi às margens dele que no século 18 surgiu o garimpo de ouro que deu origem à histórica Vila de Desemboque, marco de toda a ocupação do Brasil Central.
          Para fugir do abraço da serra, o São Francisco se derrama em uma pequena cascata, a menos de 5km da nascente. Em seguida, o “Velho Chico” escorre mais 6 km em percurso todo preservado, tanto pelo IBAMA, quanto pelos donos das terras que o margeiam, para despencar na Casca D’Anta, maior cachoeira da região, com mais de 180 metros. Motivo de sobra para que este santuário seja preservado. Aliás, o grande objetivo da criação do Parque Nacional da Serra da Canastra foi a proteção das nascentes do rio São Francisco.
          Criado em 1972, o Parque Nacional da Serra da Canastra tem 71.525 hectares. A ampliação para 200 mil hectares deve acontecer a partir deste ano com a aprovação do novo Plano de Manejo e a aquisição de novas áreas pelo Ibama. Uma estrada de 60 km corta o Parque de fora a fora e vias secundárias dão acesso a algumas das principais atrações, como o Retiro de Pedras (área da primeira fazenda instalada na região), a parte alta da cachoeira dos Rolinhos, o cânion do rio São Francisco e a parte alta da Cachoeira Casca D’Anta.
          Todo o chapadão da serra onde está o Parque Nacional alterna essas áreas de campos e campos rupestres, com variações intermediárias que os especialistas chamam de campo cerrado, campo sujo e campo limpo. Além disso, há pequenos trechos de floresta e cerrado típico. Em toda essa área, um grupo de especialistas da Universidade Federal de Uberlândia já conseguiu identificar 540 espécies de plantas em apenas quatro anos de pesquisas.Por tudo isso, a Serra da Canastra é o caminho mais curto para redescobrir um mundo onde o homem e natureza convivem em harmonia.

 
Atrações do Parque Nacional

Cachoeira Casca D’Anta parte baixa
O acesso à parte de baixa pode ser feito de carro, pela portaria 4 do Parque Nacional, logo depois de São José do Barreiro, um pequeno povoado, parada obrigatória dos aventureiros. Seguindo uma trilha no meio da mata ciliar, chega-se ao maior espetáculo natural de rara beleza. A grande cortina d’água, o paredão verde da serra, os sons, o rio salpicado de pedras, somando a fauna e flora sem igual, ficam para sempre na memória.

Cachoeira Casca D’Anta parte alta
Pela portaria 1 do parque chega-se de carro até bem próximo do cânion que o rio São Francisco forma antes da queda. São piscinas naturais de água fria e cristalina, nem todas acessíveis, formando uma seqüência de cachoeiras. Mais adiante há o mirante de onde se vê parte da queda principal, o lago negro embaixo e o curso do rio até a primeira curva rumo ao Nordeste. São mais de 300 metros de altura oferecendo um macro visual panorâmico da região.

Nascente do Rio São Francisco:
O acesso a nascente se dá pela portaria 1 do parque e fica num lindo vale a 1300 metros de altitude. A placa de pedra marca o lugar onde o “Velho Chico” inicia o percurso de quase 3 mil Km quilômetros até o litoral do Nordeste. Para chegar até a estátua de São Francisco é preciso percorrer uma trilha de pedras colocada sobre o atoleiro, pois a nascente é formada por dois pequenos córregos que surgem no meio de um charco.

Centro de Visitantes:
Na portaria 1 do Parque Nacional, o Centro de Visitantes possui auditório, biblioteca, exposição de fotos, rochas e outros materiais com informações gerais sobre o lugar. O monitor do Ibama também informa sobre as normas de visitação.
Visite também:
Cachoeira do Jota, Cachoeira dos Rolinhos, Curral de Pedras e Garagem de Pedras

Principais cachoeiras em áreas particulares
Capão Forro, Cachoeira do Rolador, Poço das Orquídeas, Cachoeira do Antonio Ricardo, Cachoeira do Vento, Cachoeira do Quilombo, Cachoeira dos Rolinhos, Cachoeira das Lavras, Gruta do Tesouro, Cachoeira do Cerradão.
O Parque tem 4 entradas ou portarias, sendo: portaria Sacramento, São João Batista do Glória, São Roque de Minas e portaria Casca D’Anta.A região ecoturística da Serra da Canastra tem mais de 200 mil hectares e abrange 6 municípios: São Roque de Minas, Vargem Bonita, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista do Glória e Capitólio. A maior atração é o Parque Nacional da Serra da Canastra, criado em 1972 para proteger as nascentes que formam o rio São Francisco.

Dicas/rodovias:
FRANCA: saindo de Franca, a melhor forma de chegar à MG 050 é pela SP 345, passando por Capetinga e saindo na altura de Itaú de Minas.
RIBEIRÃO PRETO: melhor caminho é via Serrana, Altinópolis e São Sebastião do Paraíso.
SÃO PAULO: Rodovia Anhanguera ou Bandeirantes (até interligação com Anhanguera) até o anel viário de Campinas no km 86 e daí para Mogi-Mirim, Mogi-Guaçu, Casa Branca, Mococa, Arceburgo e São Sebastião do Paraíso.
RIO DE JANEIRO: BR 040 passando por Três Rios, Juiz de Fora e Barbacena. Depois São João Del Rey e Lavras (via BR 265) e daí cruzando a rodovia Fernão Dias (BR 381) na altura de Perdões rumo a Campo Belo (BR 354) até chegar a Formiga, já na MG 050. Depois é só seguir rumo ao Estado de São Paulo até Piumhi e daí para São Roque de Minas.
 
 
 
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