Franca, 30 de julho de 2010
   

Linha de transmissão de energia ameaça
turismo no Lago de Furnas

   


             O Lago de Furnas, com sua imensidão de águas claras abrange 34 municípios mineiros. O represamento das águas dos rios Grande e Sapucaí criou uma paisagem nova e surpreendente. São cânions fabulosos, lagos, cachoeiras magníficas e praias artificiais. Os balneários se espalham pelas margens da represa, oferecendo uma excelente infra-estrutura. 
             O turismo movimenta a economia da maioria desses municípios, que exploram de forma sustentável, a atividade turística. Entretanto, esse paraíso está ameaçado por uma linha de transmissão de energia de alta tensão, que poderá ser instalada sobre os atrativos turísticos do Lago de Furnas.
             A linha denominada LT2 deve ligar as subestações de Furnas, em São José da Barra, e da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), em Pimenta, em cerca de 75 quilômetros. O anúncio desta possível obra tirou o sono de muitos empresários que investiram na região. Eles acreditam que as linhas vão descaracterizar o cenário de beleza do local, diminuir o fluxo de turistas e causar prejuízos financeiros a todos que dependem do turismo ecológico.
             O prefeito de Capitólio, Juracy Melo de Rezende, o Cici, e os empresários, políticos e lideranças do município estão recebendo apoio de várias cidades da região, entidades e associações que aderiram à mobilização, enviando cartas ao Ministério Público e à diretoria de Furnas. Todos estão empenhados em conseguir mudar o traçado dessa linha.
Cici informou que no início de agosto, ele e os prefeitos de Alfenas, São João Batista do Glória, Pimenta, o vice-presidente da Câmara de Delfinópolis e o vice-prefeito de Carmo do Rio Claro  foram até o Rio de Janeiro entregar um pedido oficial ao presidente de Furnas, José Pedro de Oliveira. “Solicitamos que a transmissão seja do lado esquerdo da rodovia MG 050, que liga Furnas a Capitólio. O presidente disse que vai fazer o possível para atender o nosso pedido”, disse.
             A obra vai possibilitar a transmissão de 345 quilo-volts de energia, aumentando a confiabilidade do abastecimento da região Centro-Oeste do Estado de Minas Gerais. A outra opção de passagem da linha seria ao norte da MG-050 ou seguir a mesma rota já existente no Parque da Serra da Canastra.
             O presidente do Circuito Turístico Nascentes das Gerais, José Eduardo de Almeida, disse que está preocupado com a descaracterização de uma das mais belas paisagens que são os cânions às margens da represa de Furnas. “Esta ação irá contra o que hoje buscamos, que é o desenvolvimento turístico da nossa região, promovendo o desenvolvimento econômico e geração de empregos no setor. Existe a possibilidade de desviar a linha do local, por isso, achamos que alternativas deverão ser criadas”, afirmou.
             O circuito é formado por 16 municípios, mas está reestruturando com nove. Várias ações estão sendo promovidas, mas segundo José Eduardo a prioridade hoje é a certificação junto à Setur (Secretaria de Turismo do Estado de Minas Gerais). Além disso, estão sendo elaborados o projeto Maria Fumaça - trajeto de Itaú de Minas a Pratápolis e projeto Viaje Nascentes, para incentivar o turismo interno.
             O prefeito de Itaú de Minas e presidente da Ameg (Associação dos Municípios da Microregião do Médio Rio Grande), Norival Lima comentou que a associação como instituição defende os interesses dos 21 municípios associados. “Somos a favor do progresso, mas não podemos deixar os nossos lugares turísticos serem mutilados, porque temos alguns locais ainda inexplorados. Reconhecemos que a linha deve existir, mas existem outras opções que não interferem no ecossistema natural”, ressaltou.
             Segundo Norival, a Ameg encaminhou um ofício para o promotor de justiça e curador do meio ambiente, Cristiano Cassiollato com o objetivo de viabilizar alternativas de rotas. “Não temos conhecimento técnico, por isso solicitamos a interferência do promotor para ampliar a discussão sobre o fato e tentar encontrar outros meios para a instalação da linha”, concluiu.

 

 
 
 
 
   
By Alsite