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Cassia |
"Cidade música, de Santa Rita
e de belezas naturais" |
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“Não troco nada no mundo pela terra em que nasci, terra que tem uma igreja que outra mais linda eu não vi...” Paulo Gama
Cássia, pequena cidade mineira localizada no sudoeste de Minas Gerais, é um lugar abençoado por Deus e por Santa Rita. Cidade de bons costumes e de gente feliz. Gente que recebe o turista com alegria no olhar, com histórias pra contar, com um cafezinho e quitutes deliciosos à mesa. Gente que tem muita fé na santa que protege lá do alto da colina seus 18 mil habitantes. Que prazer passear pela praça Barão de Cambuí ou pelas ruas calçadas de paralelepípedos e avistar os antigos casarões que conservam a história, a cultura e a beleza da cidade, cercada de serras, ranchos, rios e lugares ainda a serem explorados.
Nossa equipe de reportagem percorreu a cidade em dois dias e visitou cachoeiras, artesãos, pessoas que a cada dia escrevem a história da cidade. Povo acolhedor, simples e cheio de vida, com a música na alma e a Santa Rita no coração.
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A fé na Santa dos Impossíveis
O turismo religioso é muito forte no município. Todo ano no dia 22 de maio, Cássia recebe milhares de romeiros, de várias partes do País, que em espírito de penitência vão pedir e agradecer à Santa Rita pelas graças alcançadas.
Mantendo suas características religiosas, a expressão artística cassiense pode ser constatada em belos exemplos, como a Igreja Matriz de Santa Rita. A construção requintada possui vitrais de extrema riqueza que contam em suas imagens a vida de Santa Rita. Principal ponto de visitação, a igreja abriga o relicário que contém partícula óssea autêntica do corpo da Santa.
Outro local de visita e oração é a Colina de Santa Rita. Para chegar lá é preciso vencer os 150 degraus. No alto,a capela com a imagem da santa é um convite à prece.
Além disso, todo dia 22 de cada mês é realizada uma missa especial com novena perpétua em louvor a Santa. Cássia é também a cidade do padre Donizetti Tavares de Lima. Conhecido em todo o Brasil e no exterior, ele é responsável pela multidão que visita Tambaú, em busca de alento para seus males. |
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Suportou durante 18 anos um marido brutal que lhe era infiel e a maltratava, até que conseguiu convertê-lo. Quando este foi assassinado e seus dois filhos juraram vingar-se dos matadores, pediu a Deus que tirasse a vida dos filhos antes que eles cometessem o feio pecado da vingança, e foi atendida. Ingressou depois de viúva num convento agostiniano e ali recebeu na fronte, como privilégio, um dos espinhos da coroa de Nosso Senhor. Sua vida é repleta de milagres e episódios maravilhosos. É a padroeira das mulheres que sofrem com os maridos, e é também chamada "advogada das causas perdidas" e "dos impossíveis".
Morreu no dia 22 de maio (data de seu nascimento), aos 76 anos. Cerrou os olhos como só os santos o fazem, e seu rosto recuperou as belas formas da juventude, e de seu corpo delicioso cheiro se exalou. Seu corpo inexplicavelmente permanece intacto até hoje, no Santuário de Santa Rita em Cascia, na Itália. |
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A música está presente na vida de todos os cassienses. Pode-se dizer que eles já nascem com o dom de compor e cantar. A cidade possui vários cantores e músicos, desde as crianças até os pais, todos já fizeram ou fazem parte de algum coral ou banda.
Entre os principais destacam-se: Os Pequenos Cantores de Cássia, a Banda Maestro Godofredo de Barros, a Fanfarra dos Veteranos e o Coral Santa Cecília. O Coral dos Pequenos Cantores de Cássia é o mais antigo: foi fundado em março de 1972, pelo professor maestro Heitor Geraldo Magella Combat. O coral é formado por 150 meninos e faz parte da Federação Nacional de Meninos Cantores. Com 93 anos, o maestro esbanja simpatia e conta com orgulho e brilho nos olhos que cerca de 450 meninos já passaram pela escola de música onde são oferecidos vários cursos.
Para ele, a música é o maior fator de cultura e educação porque exige conjunto, dependência, postura e disciplina. “A teoria do som é a única arte que afeta diretamente o sentido de todas as pessoas. A música nos domina”, conclui. |
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Belezas naturais
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Atualmente, Cássia trabalha para promover e organizar o Turismo Ecológico. A proximidade com o rio Grande e a Serra da Canastra possibilita a efervescência do filão turístico. As belas margens do rio já se encontram repletas de ranchos e construções, locais que costumam lotar nos feriados e finais de semana ensolarados.
O município oferece passeios imperdíveis que conduzem a várias cachoeiras, matas e trilhas fechadas, algumas ainda a serem exploradas. Nossa equipe conheceu uma das cachoeiras mais bonitas: a Cachoeira do Funil. Ao chegar até ela à impressão que se tem é de uma cachoeira como as outras. Mas sua beleza fica escondida no meio da mata. Para chegar até a queda d’ água percorremos uma trilha de difícil acesso, que passa por lugares misteriosos, cobertos por pedras e atalhos invisíveis. Tucanos e pássaros raros fazem o som e pintam a beleza da trilha durante o caminho.
De repente uma surpresa: a trilha nos leva para uma passagem dentro da cachoeira. No meio das pedras temos que andar agachados e bem à nossa frente uma cortina de água passa e deixa sua energia e sensação de frescor. Lá embaixo o som da água e o visual deslumbrante desperta paz, calma e reflexão... O lugar é emocionante. A subida exige fôlego e força nos braços.
Outra cachoeira bela e imponente é a Cachoeira Véu da Noiva. Conta à lenda que um casal passava a cavalo no alto da serra, logo após os festejos do casamento, quando foi surpreendido por uma tempestade muito forte que arrastou os noivos montanha abaixo. A queda d’ água parece mesmo o véu de uma noiva: branca, longa e transparente. Com charme e elegância quebra nas pedras e no meio das árvores nativas.
Outro ponto turístico importante no município é o Porto Praia Vermelha que faz a divisa de Cássia e Delfinópolis. A travessia na balsa é feita em 20 minutos. Para quem quer saborear um delicioso peixe o local é ideal.
Descobrimos também que a cidade abriga o terceiro maior jequitibá do Brasil, que tem aproximadamente 2 mil anos. O jequitibá rei, como foi chamado, fica na fazenda Reata, do professor Sylvio Péllico Netto e divide o local com outras espécies raras, plantas e animais em extinção.
O Mirante do Lobo, localizado na estrada Cássia/Ibiraci também é um local bastante freqüentado, principalmente pelos motociclistas, que gostam de se aventurar pelas trilhas existentes no lugar. Uma das atrações do lugar é um cipó gigante, considerado um dos mais antigos registrado no País. O Mirante do Lobo oferece uma visão panorâmica das mais bonitas. Lá de cima é possível avistar o desenho do mapa do Brasil formado pelo contorno das árvores.
Ainda em Cássia está situado um dos maiores empreendimentos turísticos da região. O Beira do Lago Náutico Club. Com uma área de 75 mil m2 urbanizada cercada por uma fantástica paisagem, o clube fica às margens do rio Grande o que torna o cenário ainda mais atraente. Inaugurado em fevereiro de 2004 o complexo foi idealizado por Afrânio Spósito, homem de visão empreendedora, eleito duas vezes prefeito da cidade, e que aos 67 anos construiu o maior e mais estruturado clube da região.
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| Mãos que transformam argilas em obras de arte |
Sensibilidade, talento e dedicação. Os artesãos de Cássia produzem objetos utilitários e de decoração com tal perfeição que a arte e realidade se misturam. A agilidade nas mãos unida à criatividade dos cassienses deixa qualquer pessoa de boca aberta, sem exagero. Artesãos que vivem da magia de transformar simples argila em objetos de decoração e harmonia. Rapidamente a argila vira uma arara e no tempo de piscar os olhos a arara toma forma de um tucano.
No torno, a experiência e habilidade em trabalhar com os pés e as mãos ao mesmo tempo, fazem a diferença. Em alguns minutos a argila ganha forma e vida e transforma-se em vasos, filtros e moringas. Mãos especiais que criam esperança, admiração e brilho no olhar. |
| Formas e Tramas |
Criada em 2003, a Associação dos Artesãos e Artistas Plásticos de Cássia tem como objetivo resgatar as tradições e promover a inclusão social. Com sede na Casa da Cultura, tem hoje mais de 100 artesãos cadastrados. São pessoas que manifestam a sua sensibilidade nas mais diversas formas e com os mais diferentes materiais. Buscando resgatar a cultura e identidade local, o grupo Formas e Tramas, junto com o Sebrae, desenvolve o artesanato temático da cidade. A Música, a Religiosidade e as Olarias servem de inspiração para a produção de uma infinidade de produtos que formam uma combinação harmônica e mágica.
O valor pela arte e pela vida pode ser percebido nas peças produzidas, que trazem esperança, oportunidade de emprego e boas perspectivas de futuro à população. |
| Esporte |
A paixão pelo hipismo é característica marcante do povo cassiense. As tradicionais corridas hípicas atraem pessoas de todas as faixas etárias que passam os domingos acompanhando todos os detalhes da prova. A torcida é contagiante: vibra com cada ponto conquistado, reclama e chora a cada ponto perdido. Fundado em 1975, o Clube Hípico de Cássia tem 42 cavalos e é sempre um dos favoritos nos campeonatos. |
| Economia |
A agropecuária é um dos pilares sobre o qual Cássia se sustenta. As terras férteis fizeram a cultura do café crescer rapidamente. Neste cenário, destaca-se a Coopassa (Cooperativa Agro Pecuária de Cássia), que foi fundada em 1968 e hoje é um referencial de desenvolvimento do setor agropecuário regional, destacando-se como a empresa de maior arrecadação do município, com 1.627 associados e 113 funcionários.
A outra força econômica se encontra na produção há mais de um século de tijolos e objetos variados com matéria-prima local. As cerâmicas e olarias abastecem o mercado de Franca e da região.
Recentemente Cássia teve destaque no cenário nacional ao receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração da primeira Usina de Biodiesel do Brasil. Além de ser uma tecnologia não poluente a produção da usina deve gerar R$ 9 milhões por ano à economia do município. |
| Lazer |
Quem visita Cássia pode nadar nas águas transparentes do rio Grande, tomar cerveja gelada nos barzinhos ao redor da praça central e assistir encantado, a bela fanfarra desfilar ou a banda tocar. Pode dançar nos animados bailes do clube, comer gostosos queijos frescos e descobrir o porquê do carnaval cassiense ser tão reconhecido. Os turistas fazem bons amigos e sempre criam fortes e sinceras raízes. |
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