|
|
 |
| |
TAMBAÚ |
SOB
AS BÊNÇÃOS DO |
PADRE
DONIZETTI |
|
Nossa
equipe de reportagem partiu de Franca para Tambaú
afim de reportar sobre o ponto inicial do Caminho
da Fé, roteiro que vem ganhando destaque
no mapa do turismo, aliando aventura e religiosidade
em um percurso de 425 km. Ao chegar, mudamos completamente
a pauta inicial. A praça repleta de carros
e ônibus conduzindo romeiros não
deixou dúvidas que ali existia muito mais
a ser relatado. Por conta da fama de Padre Donizetti
a cidade, há 275 km da capital de São
Paulo, tornou-se um dos destinos mais procurados
pelos romeiros e está no topo do turismo
religioso.
Vale
destacar algumas peculiaridades que fazem de Tambaú
um refúgio especial para o turismo. A cidade
abriga mais de 100 indústrias de cerâmica,
é conhecida nacionalmente pela fabricação
do produto e consagrada como uma das maiores produtoras
de leite do interior paulista. Lugar de gente
simples e hospitaleira, o visitante logo se sente
à vontade para ouvir e contar histórias
no banco da praça ou percorrer suas ruas
cheias de ladeiras.
Aqui
e ali, o passado se faz presente, tanto na arquitetura
colonial das casas, quanto no romantismo da ferrovia.
Do ponto mais alto da cidade, avista-se o trem
de carga que passa lentamente no pé da
serra e some no horizonte. Durante a semana, Tambaú
é um convite à tranqüilidade
da vida no interior. Se a idéia é
fugir do tumulto, de segunda a sexta-feira são
os dias indicados para visitar o Santuário
de Nossa Senhora Aparecida, o túmulo e
a Casa do Padre Donizetti.
Nos
finais de semana, a calmaria dá lugar a
uma multidão de pessoas enfileiradas nesses
pontos, considerados ícones da cura e altar
de oração. Passados 44 anos da morte
de Padre Donizetti Tavares de Lima, o município
com 23 mil habitantes, recebe cerca de 30 mil
pessoas por mês e tornou-se referência
de um lugar onde se encontra a paz de espírito
e remédio para doenças incuráveis. |
|
| |
|
Caminho
da Fé
Inspirado
no milenar Caminho de Santiago de Compostela,
na Espanha, o Caminho da Fé foi criado
em 2003 unindo dois grandes centros religiosos:
Tambaú terra do Padre Donizetti e
o Santuário Nacional de Aparecida,
santa de devoção do padre
milagreiro. O percurso de 425 km abrange
19 cidades nos estados de São Paulo
e Minas Gerais, cortando a Serra da Mantiqueira,
num passeio inesquecível por estradas
vicinais de terra, trilhas, bosques, pastagens
e asfalto.
No
caminho, demarcado por setas amarelas que
são uma sinalização
universal, o peregrino vai reforçando
sua fé observando a natureza privilegiada
e superando as di?culdades, síntese
da própria vida. ??Ele aprende que
o pouco que necessita cabe na mochila e
vai despojandose do supér?uo. Exercita
a capacidade de ser humilde e compreenderá
a simplicidade das pousadas e das refeições.
Sobretudo, em cada parada, o peregrino estará
contribuindo para o desenvolvimento econômico
e social das pequenas cidades, propiciando
a integração cultural de seus
habitantes com pessoas de diferentes partes
do mundo'', considera José Adilson
Pieruzzi, presidente do Comtur.
Segundo
ele, para iniciar sua peregrinação
pelo Marco Zero do Caminho da Fé,
o peregrino pode adquirir a emissão
da credencial no quiosque localizado no
calçadão da Praça Padre
Donizetti ao lado do Santuário Nossa
Senhora Aparecida. Caminho da Fé |
|
|
 |
| Mais
conforto para os turistas |
No
dia 16 de junho próximo, quando
será comemorado o 44° aniversário
de morte do Padre Donizetti, a pequena
Tambaú deverá receber
cerca de 35 mil ?éis. É
nessa data que acontece a Marcha da
Fé, uma homenagem ao padre
milagreiro, que este ano completa
sua 29° edição.
Pela primeira vez na história
do município, o poder público
está empenhado em tratar o
turismo como negócio e unindo
forças para canalizar essa
vocação como principal
fonte geradora de emprego e renda.
O
projeto conta com a parceria do Sebrae/SP,
Comtur, PDTR (Plano de Desenvolvimento
do Turismo Receptivo) e da Associação
dos Fiéis Seguidores de Padre
Donizetti. Um dos objetivos é
elevar a cidade à condição
de Estância Turística
Religiosa, feito que aumentará
signi?cativamente o repasse de verbas
para o município, mas que depende
da aprovação da Assembléia
Legislativa. Tão logo seja
aprovada, será construído
o terminal turístico de frente
ao Cemitério Municipal, onde
está enterrado o corpo de Padre
Donizetti. Enquanto isso não
acontece, a prefeitura trabalha com
o orçamento anual de cerca
de R$ 10 milhões, tentando
oferecer a infra-estrutura básica
para bem receber seus visitantes.
Sem
comprometer as demais áreas
de prioridade pública, a meta
é centralizar o turismo religioso
na réplica da Igreja de Nossa
Senhora, em frente ao cemitério.
Nela deverá ?car os restos
mortais do padre e o memorial com
seus pertences. Em médio prazo,
o entorno deverá sediar um
grande empreendimento, dotado de hotéis,
estacionamento, lanchonetes e lojas
de souvenirs. “De imediato
estamos empenhados em instituir um
departamento com autonomia para administrar,
fomentar e organizar o turismo religioso”,
antecipa Edilson Faria, diretor do
turismo local.
Paralelo
ao trabalho de conscientização
da população, a administração
está investindo na reestruturação
de Tambaú. “O primeiro
passo nessa direção
é sinalizar e embelezar a cidade
num todo, para impressionar e principalmente
informar os visitantes”, salienta
Faria. Segundo ele, o resgate à
memória e a difusão
da história de Padre Donizetti
é urgente, por isso uma série
de ações envolvendo
a rede municipal de ensino já
está em prática. “A
nova geração desconhece
a importância de seus feitos,
não apenas como milagreiro,
mas também como o líder
que atuou em favor dos pobres e dos
trabalhadores”, a?rma. Faria
considera que o máximo a ser
feito ainda será pouco diante
das realizações do padre
ao longo dos 79 anos de sua vida em
Tambaú. `` O padre fez um trabalho
maravilhoso nessa comunidade e temos
a responsabilidade de retribuir ,
sustentando a fé que ele semeou'',
conclui. |
|
|
Para
responder prontamente quem é
Padre Donizetti Tavares de Lima é
preciso ter no mínimo 40 anos
de vida. Ele chegou em Tambaú
em junho de 1926, aos 44 anos de idade.
Literário, poliglota, músico
e devoto de Nossa Senhora Aparecida,
o pároco logo conquistou a
população local, da
qual foi conselheiro, médico,
advogado e líder absoluto.
Não se sabe precisar o primeiro
de seus milagres, mas seu nome ganhou
fama em meados dos anos 50, quando
os poderes de cura do religioso foram
propagadas e Tambaú, com cerca
de 5 mil habitantes, recebeu mais
de 3 milhões de visitantes.
Desde então, existem mais de
mil depoimentos de milagres a ele
atribuídos e todo santo dia
alguém faz uma nova declaração,
fortalecendo a crença que,
ainda em vida, Padre Donizetti foi
o verdadeiro “Servo de Deus”.
“Ninguém
contestava o que ele dizia, porque
suas palavras eram sempre uma bênção”,
afirma José Geraldo Zampolo,
que presenciou a cura de um mal no
seio de sua esposa e tornou-se testemunha
viva dos poderes do padre.
Seria
preciso uma edição especial
para contar as histórias de
tantos milagres. Durante muitos anos
a voz de Padre Donizetti anunciava
o ângelus nas ondas do rádio.
Todo dia às 18 horas era o
momento sagrado de ouvir suas bênçãos.
“Minha mãe colocava um
copo com água ao lado do rádio
e nos fazia bebe-la antes de dormir”,
recorda Maria Elisa Rodrigues, que
saiu de Araraquara em busca do líquido
no túmulo do religioso que,
além da capela, abriga o poço
onde os fiéis acendem velas
e fazem orações. “Basta
algumas gotas sobre a face para aliviar
dores e mal estar”, afirma José
Mariano Dias, romeiro de Santo André.
Assim como ele, a maioria dos visitantes
banham-se e levam para casa um pouco
da água que acreditam ser benta.
Essa
profusão de fé mudou
a rotina dos moradores de Tambaú
que, ao longo do tempo, aprendeu a
conviver com os romeiros que chegam
aos milhares, das mais distantes regiões
do país, ora para pedir, ora
para manifestar a graça alcançada.
“Os devotos trazem fotos, cartas,
vestes e pertences que catalogamos
e arquivamos na casa do santo padre”,
afirma Sonia Maria Teixeira Spiga
Real, uma das 10 integrantes do Grupo
de Voluntários Zeladores dos
Pertences de Padre Donizetti.
O
trabalho desse grupo engloba também
a tarefa de restauração
e manutenção de tudo
que está nos nove cômodos
da casa onde morou. “Trabalhamos
com amor e devoção,
pois convivemos como o padre e testemunhamos
seus milagres em vida e após
a morte”, declara a voluntária
Laila Restum de Santis. Não
há exagero em suas palavras.
Ao chegar em Tambaú, mesmo
o visitante mais desavisado, logo
terá conhecimento de inúmeras
histórias postuladas às
bênçãos do padre. |
|
|
|
|
|
 |
|
|