Franca, 30 de julho de 2010
 
 

         Até parece que todos podem se encontrar em uma mesma esquina. Até parece que o País inteiro se faz presente por aqui, com sua característica principal – a mistura de povos, sotaques e culturas. Assim é Franca, um misto da correria paulistana movida por seus incansáveis trabalhadores com o jeito manso do mineiro. O município pode ser defi nido como o lugar do progresso e do sossego, da tradição e da modernidade, tudo isso envolvendo harmoniosamente seus 315.770 habitantes.
         É possível conhecer e se familiarizar facilmente com as ruas e avenidas de Franca, ladeadas de sibipirunas, flamboyants e ipês. Aqui se faz boas compras em seus dois shoppings, um especializado em seu produto mais famoso, o calçado, que vem historicamente trazendo riquezas ao município. Além disso, quem vem a Franca não pode deixar de visitar seus museus (do Calçado, do Museu da Imagem e do Som - MIS e o Histórico), seu teatro municipal, pinacoteca, duas bibliotecas públicas, três cinemas, os parques (um em construção), conhecer sua produção de mel e de doces, além do seu fervilhante comércio.

         Vai um cafezinho, assistindo um jogo de basquete e de sapato novo?

         Se tem uma coisa que Franca possui e guarda com carinho são as suas tradições. A fama que conquistou da terra do café, do calçado masculino e do bom basquete - disputado quarto a quarto - ainda rende grandes aplausos da torcida.
         Nosso cafezinho vem fazendo bonito até em mesas internacionais. Oitenta por cento da produção do café de Franca e região vão para países como França, Itália, Alemanha, Estados Unidos e consumidores no exterior. Todos conhecem a alta qualidade do produto que nasce por essas paragens (leia mais abaixo).
         E como “capital do basquete”, muitos momentos de felicidade que a cidade proporcionou a seus fi lhos, foram nas quadras. Franca é considerada a principal escola do basquete brasileiro. Desde a década de 50, o basquete fi gura entre os esportes mais praticados pela juventude francana.
         “Bater perna” para tomar tal café e ir aos jogos de basquete pedem sapatos confortáveis e de qualidade e isso é uma das coisas que Franca sabe fazer bem, afi nal é um dos maiores pólos calçadista do país. Com as vendas externas, a cidade deu um salto tecnológico e de qualidade na fabricação de calçados.
         Hoje ela tem importante contribuição em números grandiosos como o resultado de mais de 64 milhões de dólares exportados, somente neste ano, em calçados, produção oriunda de cerca de 430 indústrias, que trazem gente de todos os cantos para adquirir o produto.
         Preciosidades – E Franca tem mais. Uma das mais importantes atividades do município é a secular extração, lapidação e comércio de diamantes. Sem falar no trabalho de famosos ourives que aqui se encontram. Franca é conhecida no mercado internacional como um dos grandes centros de comércio. Toda essa atividade sempre garantiu empregos, renda e atraiu comerciantes de outros países, colaborando para a boa qualidade de vida dos cidadãos. É assim que Franca o é, a fama trazendo resultados positivos incontestáveis para aqueles que aqui nascem, vivem ou somente vêm ver de perto o que é que Franca tem e contribuem de alguma forma para o seu sucesso.

         Passear na praça é tradição nesta cidade

         Apesar do francano já estar acostumado aos ares cosmopolitas que a cidade oferece, ainda é possível ver as praças repletas de jovens casais passeando de mãos dadas, senhores e senhoras sentados pelos bancos, homens “jogando conversa fora” e famílias inteiras com seus filhos levados por uma mão e o sorvete na outra. Não é para menos. Franca possui cerca de 150 praças espalhadas por seus mais de 200 bairros. Isso sem falar nas mais famosas, localizadas no centro: a Praça Nossa Senhora da Conceição e a Praça Barão de Franca. São nelas que o visitante encontra quase tudo o que quer em ambiente agradável e bem cuidado com cafés, restaurantes e aquele chope gelado.
         A Praça Nossa Senhora da Conceição, criada por volta de 1827, para ficar como a conhecemos hoje, passou por cinco reformas desde então, a última em 2002, realizada através de uma parceria entre a ONG “Grupo Cidadania Franca Viva” e o Unibanco. Foi nesta obra que os monumentos que ali se encontram – o Relógio de Sol e a concha acústica – ganharam restauração completa. O resultado foi à aprovação da população e se tornar um dos pontos mais lembrados por sua beleza por aqueles que vem de fora. É lá que está a imponente Igreja Catedral que empresta seu nome à praça, em homenagem à santa padroeira dessa terra.
         A Praça Barão de Franca (chamada antigamente de Aclamação) não fica atrás. Transformada em um amplo calçadão na década de 80, ela é um dos locais mais movimentados da cidade e todo o burburinho encontrado por lá é formado por muitos turistas com sotaques dos mais diversos lugares. Na verdade, a Praça Barão, como é mais conhecida, parece um mundo à parte de Franca. Lá se faz e discuti-se política, vende-se sapatos seminovos, troca-se ou vendem-se peças para colecionadores. O visitante mais atento pode ainda apreciar algumas fachadas de prédios antigos.

         Cultura atrai gente de todos os cantos

         Passear em Franca ainda pode ter um atrativo a mais: a cultura e a produção de eventos. São dois teatros, museus, bibliotecas, arquivo histórico, cinemas e pinacoteca – espaços que oferecem uma gama enorme de informações de primeira qualidade a quem não dispensa a aquisição de conhecimentos.
         O mais novo é o Museu do Calçado “Wilson Sábio de Mello”, inaugurado em 2001, sediado na praça Nossa Senhora da Conceição, no coração da cidade. Conta com mais de 3 mil itens – entre eles os sapatos de gente famosa, como o usado pelo presidente Lula em sua posse e o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Seu nome é uma justa homenagem a um dos primeiros e mais importantes produtores de calçado da cidade, criador da famosa marca Samello. O local dispõe de salas com vídeo, cyber café, livraria e computadores conectados com os principais centros de informação sobre a moda mundial e os assuntos de interesse do setor.
         História – Também, bem no centro da cidade, encontra-se o Museu Histórico Municipal que leva o nome de um dos maiores historiadores que a cidade já teve e que também foi seu idealizador: José Chiachiri. Sua inauguração se deu em 1959. O atual prédio – tombado em 1997 pelo patrimônio histórico – nos idos de 1896 abrigava o Fórum da cidade e a cadeia local. Depois foi sede da prefeitura e da Câmara dos Vereadores. Somente em 1969 é que o museu foi instalado no imponente endereço, a fim de dar ao seu acervo de cerca de quatro mil peças um local adequado. Coordenado há 21 anos por Margarida Borges Pansani, o Museu Histórico abriga trabalhos e peças em taxidermia (arte de empalhar), vestuário antigo, mobiliário, objetos de etnografi a e etnologia, material indígena, sala das profissões, sala de música e documentos. O local conta também com biblioteca de apoio e o único arquivo climatizado da região, totalmente digitalizado, a fim de facilitar as consultas dos visitantes. Margarida conta que recebe, em média, 100 visitantes ao dia. “São pessoas de todas as idades e de diferentes partes do Estado, principalmente das cidades vizinhas e da capital”.
         Arquivo histórico - O Arquivo Histórico Municipal “Capitão Hipólito Antônio Pinheiro” é outro ponto que merece uma visita sem pressa. Tem cerca de 100 mil documentos e 10 mil livros. O material pode ser utilizado para pesquisas, que ajudam a basear teses e trabalhos acadêmicos, sendo que muita gente de fora tem nesse material a fonte certa para seus estudos. Esses documentos datam dos anos de 1700 e 1800, em sua maioria. E mais, ele está localizado no térreo do Colégio Champagnat, antiga escola Marista, prédio também tombado pelo patrimônio histórico e que merece uma visitação mais demorada a fim de descobrir suas belezas arquitetônicas.
         Arte – De endereço novo, funcionando na entrada do Teatro Municipal “José Cyrino Goulart”, a Pinacoteca Municipal “Miguel Ângelo Pucci” é uma concentração de arte de qualidade em um único espaço. Em 1977 ela ganhou instalação própria. De acordo com o seu coordenador, Wagner Voss, o acervo está hoje em 230 peças de esculturas em gesso, pedra sabão, argila, pinturas em
tela nos estilos acadêmico e contemporâneo, aquarelas, entalhes em madeira, entre outras obras. “Quase 80% delas são de autores das cidades da região e de todo o Estado, compradas pelos grandes intelectuais e artistas que por aqui viveram e passaram ou doadas por famílias francanas tradicionais”, informa ele. Wagner explica que atualmente, a instalação no Teatro Municipal facilitou o acesso do público. “Para se ter uma idéia disso, em abril passado chegamos a ter mais de cinco mil visitantes”, completa.
         Um passeio no parque
         As belezas naturais sempre foram atrativos a mais para incrementar um bom passeio e nesse aspecto Franca não deixa nada a desejar ao turista mais exigente, a começar pelo Jardim Zoobotânico, inaugurado como horto florestal em 1952.
         De lá para cá, mais de 136 espécies foram identifi cadas e catalogadas. Dessas, 102 são nativas, mostrando a riqueza da flora dessa região. Esse trabalho informativo vem atraindo grande interesse não só da população da cidade como também dos visitantes de outras regiões que querem conhecer um pouco mais da diversidade de espécies que o sudoeste paulista possui, isso sem falar nos biólogos e profissionais de diversas partes do País que aproveitam tamanho acervo para desenvolver suas pesquisas. Hoje o viveiro de mudas do Jardim Zoobotânico é um do maiores do Estado, fornecendo flores e plantas gratuitamente a quem se interessar. Muitos proprietários de sítios, ranchos e chácaras da macro região de Franca são freqüentadores e “clientes” antigos do Jardim.
         Hipismo e agropecuária – Quem quer um passeio ao ar livre em área de mais de 190 mil metros quadrados, não pode deixar de conhecer o Parque de Exposições Permanentes “Fernando Costa”, localizado perto do bairro da Estação e do Guanabara (avenida Doutor Flávio Rocha, 500). Sua característica principal é o de espaço para prática de esportes hípicos. O espaço abriga ainda o projeto “Café com Música”, com apresentação de artistas regionais e muitos quitutes em um domingo por mês. Com capacidade para receber 60 mil pessoas, o “Fernando Costa” tem seu maior público por ocasião das festas regionais, como a Expoagro, geralmente realizada no mês de maio; as Cavalhadas, em agosto e a Festa da Integração, em setembro. Aberto das 7h às 19h, é possível ver famílias inteiras que costumam caminhar, fazer cooper ou andar de bicicleta pelo local.
         Novidade – Um parque específico para lazer sempre foi uma antiga reivindicação da população francana. Ao longo de anos, diversas administrações públicas reconheceram a necessidade de um local assim, a fim de incrementar ainda mais o turismo da cidade. Mas somente este ano o Parque dos Trabalhadores saiu do papel e se transformou em realidade. A área de preservação ambiental escolhida para abrigar o empreendimento possui 286 mil metros quadrados doada pelo Estado está localizada no bairro Parque dos Pinhais. O local terá um edifício para administração, quiosques, pista de corrida, quadras poliesportivas, banheiros públicos, implementação de projeto paisagístico, lanchonete e um lago com lençol d'água de 2.400 metros. A construção será feita através de uma parceria com a Ocisp “Construtores Sociais” e a Petrobras, que liberou recursos na ordem de R$ 1.279 mil. Cerca de 60% das obras já devem ser entregues até o final deste ano.
         Em Franca, comprar é muito fácil
         Ir visitar uma cidade e sair dela sem uma lembrança local e sem presentes para os amigos e familiares é quase impossível. E há ainda aqueles que trabalham com a revenda de produtos adquiridos em outro município e para isso necessitam de atendimento e infra-estrutura diferenciados. Em Franca isto é uma praxe na cidade. Conhecida por seus calçados de qualidade e comércio efervescente, a cidade possui todos os quesitos para se fechar bons negócios, sair dela satisfeito e com muita sacolas.
         Suas mais importantes lojas estão concentradas nos shoppings, no centro, e em suas avenidas, conhecidas como corredores comerciais especializados, onde encontra-se a oferta de um mesmo tipo de produto. Para se ter uma idéia da força do setor comercial como pilar econômico para Franca e de seu potencial para o turismo de compras, basta dizer, por exemplo, que a segunda maior rede de lojas de departamentos do País é francana, nasceu nessa terra e cresce mais a cada ano.
         No ano passado o setor comercial gerou 16,5 mil novos postos de trabalho em Franca. Isso só foi possível graças ao volume comercializado, tornando-se cada vez mais importante a presença do turista na cidade.
         Calçados - Para comprar sapatos, um shopping especializado foi criado em 1997, e de lá para cá já perdeu a conta dos milhares de comerciantes que vieram de outras cidades e Estados. São 76 lojas de fábricas e mais de 300 marcas com vendas ao varejo e atacado, localizadas em um único espaço físico, a fim de facilitar os negócios. Trata-se do Shopping do Calçado de Franca, dotado de estacionamento para mais de 300 veículos. E isso se torna imprescindível, pois recebe diariamente inúmeros ônibus e vans de compradores de todo o País.
         Para recepcioná-los como merecem, o centro de compras ainda oferece postos bancários, praça de alimentação, amplo auditório e um escritório do CDL (Câmara de Diretores Lojistas) para consultas cadastrais e outros serviços.
         Tudo isso faz com que aquele espaço comercial seja considerado o maior shopping especializado da América Latina.

 
 
 
 
By Alsite