|
|
 |
| |
 |
terra de beleza
e muito trabalho |
|
Carmo,
é assim que nós a chamamos. É
tranqüila, alegre, afetiva e cordial. É
com muito orgulho que somos carmelitanos. Nosso
produto artesanal segue conceitos de vida. Por
amor e fé no trabalho refletimos quem somos.
Se você busca identidade, tradição
e modernidade, encontrou. São traços
nativos de nossa cidade”.
O
texto acima foi produzido em um dos muitos encontros
sobre capacitação para os artesãos
da cidade de Carmo do Rio Claro. Sua gente sabe
que esse é um dos pilares fundamentais
para atrair gente de fora, gerar divisas para
o município e sustento para esse povo que
tece manualmente em teares de todos os tamanhos
peças para decoração, não
encontradas em nenhum outro lugar do Brasil. Mas
quem por lá chega percebe logo que o Carmo
tem ainda muito mais a oferecer. Privilegiada
em sua posição geográfica,
a terra foi dotada pela natureza de incríveis
belezas. O turista mais desavisado diz que fi
ca sem fôlego e emocionado diante das montanhas
que circundam o município e de seu maravilhoso
Lago de Furnas.
A
sensação de encantamento acontece
assim que se chega àquela terra do Sul
de Minas, com sua praça bem cuidada, ladeada
de antigos casarões do século 19,
até hoje muito bem cuidados. Parece até
um presépio aos pés das montanhas,
entre elas a mais famosa, conhecida por Serra
da Tormenta, de onde se pode ter a melhor vista
do lago, saltar de asa delta, subir pela estradinha
de terra que muitos romeiros utilizam para chegar
a uma capelinha construída no alto da montanha.
Isso sem falar nas inúmeras achoeiras,
como a da Alegria, Véu das noivas e Pedra
Branca.
O
Museu do Índio, com grande acervo do início
da formação do homem naquela região
pede uma travessia de balsa – um passeio
prazeroso sobre as águas do Rio Grande,
que refl etem o sol ao entardecer. E os doces,
então...A arte das compotas de pedaços
de frutas com desenhos esculpidos à mão,
os delicados cristalizados com nozes e os bombons
de festa, mais parecem esculturas em miniatura. |
|
|
Conta-se
que os portugueses que se instalaram em fazendas
agrícolas naquela região do Carmo
do Rio Claro, trouxeram os primeiros teares manuais
de fiar, roca para enrolar o fi o e a arte de
fazer colchas, tapetes e vestimenta em geral.
Os primeiros fi os eram retirados de carneiros
das pequenas criações que eram mantidas
para esse fi m. Depois da tosquia a lã
era transformada em fi os e tingida com pigmentos
naturais. Essa arte foi passando de mãe
para filha, través de gerações
e se multiplicou por toda cidade. É difícil
encontrar um carmelitano que não saiba
usar o tear ou que não tenha alguém
na família que o saiba. Difícil
também é achar quem não sobreviva
dessa arte secular.
Foram
as peças em tear que impulsionaram o turismo
de compras da cidade e que hoje rende grandes
negócios, participações em
feiras nas mais diversas capitais e até
a exportação para países
da América Latina, como a Argentina e da
Europa, como Escócia, Itália e Inglaterra.
Mas para tanto, os tecelões necessitaram
se organizar, aprimorar as matériasprimas
e se capacitar a fi m de atender tamanha demanda.
Foi
assim que nasceu a Associação dos
Artesãos de Carmo do Rio Claro, fundada
em 1990, sob o incentivo do atual prefeito Ângelo
Leite Pereira, eleito três vezes para o
cargo. A artista plástica Maria do Carmo
Soares, presidente da entidade, conta que hoje
a associação congrega 28 artesãos,
todos em atividade informal, que fazem compras
de material e vendem a produção
através da instituição. Lá
também podem ser conhecidos e comercializados
licores, doces, cerâmica vitrifi cada, bonecas
e outros trabalhos manuais.
“A
riqueza da associação está
no afi nco com que trabalham os seus associados.
Muitos deles passam o dia no tear, desenvolvendo
técnicas e materiais novos, afim de proporcionar
estudo para os filhos. A criatividade deles não
tem limite, a reinvenção é
necessária para atrair cada vez mais o
turista e o passado é uma fonte de inspiração”,
diz Maria do Carmo. |
|
|
Foi
também de mãe para filhas e entre
as famílias carmelitanas que se aprendeu
e desenvolveu a arte de fazer doces. As compotas
de frutas – abacaxi, mamão, laranja,
cidra, figo, entre outras – são
as mais comuns. O diferencial está na
apresentação: com uma fina faca
bem afiada e até com um bisturi cirúrgico,
as doceiras enfeitam o pedaço de fruta
com pequenas esculturas. Um dos mais tradicionais
vem da fábrica de Carlos Prado, elaborado
pelas experientes mãos da doceira Fátima
Maria de Carvalho que, claro, aprendeu a arte
com gente de sua família, que já
trabalhava em menor escala há gerações.
A
fábrica teve início em um barracão
instalado nos fundos da casa de Carlos e hoje
já emprega 16 pessoas, que trabalham
nas mais rigorosas normas de higiene, obedecendo
todas as recomendações da Vigilância
Sanitária do município. A variedade
fi ca por conta da fabricação
de mais de 30 tipos de doces, que são
vendidos para todo o Brasil. Atualmente, os
planos são de enviar amostras para a
Argentina, México, Rússia e Miami.
Um diferencial que Carlos oferece aos seus clientes
são os entalhes feitos com o nome de
cidades que encomendam os doces, nomes dos noivos,
que oferecem a iguaria nas festas de casamento
e até com emblemas de empresas que repassam
as compotas como brinde aos seus clientes. Outra
fonte de renda que o empresário doceiro
consegue extrair de sua fábrica de compotas
vem dos cursos para quem quer aprender essa
delicada arte da culinária.
|
|
Índios
no Carmo do Rio Claro |
Conhecendo
o acervo do Museu Indígena “Katuaua”,
formado e mantido por Antônio Adauto Leite,
78, em seu próprio sítio, temos
a certeza absoluta de que os índios foram
os primeiros a pisar naquelas terras. Através
das peças, chegou-se à conclusão
que os Tupis-guaranis fugindo dos portugueses,
instalaram-se na região do Carmo. Lá
ficaram por muito tempo. Há mais de 30
anos, Antônio Adauto encontra vestígios
no quintal de sua casa que confirmam essa história.
São machadinhas, pontas de lanças,
adornos para o corpo, quebras coco, pilões,
dentes e a peça mais interessante –
a urna mortuária ou igaçaba em tupi-guarani.
“Ao invés deles enterrarem seus mortos,
a tribo os colocava em grande potes de argila
e só depois cobriam de terra”, diz
Leite. No Museu Indígena existem 15 urnas
contendo restos mortais de índios.
Tudo
começou quando ele achou a primeira peça
– uma machadinha – que foi estudada
e guardada por ele. “Sou um autodidata,
mas sei muito de antropologia e posso explicar
peça por peça das centenas que tenho
aqui. Sei, por exemplo, que algumas são
de dois mil anos atrás”, explica
ele.
O
próprio museu e suas aulas tão precisas
ganharam fama e trouxeram estudiosos do mundo
inteiro. Muitos querendo comprar suas peças
ou transferir o museu de seu sítio. “Esse
acervo não é meu, é do povo,
portanto não posso vender e nem cobro entrada
para quem quer conhecer o lugar, pois cada um
desses achados conta um pouco da história
do nosso município e da nossa gente”,
enfatiza. |
|
|
|
|
 |
|
|